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O distrito hoje · 27

Nossa Gente, Nossa História

Eles prestaram relevantes serviços à comunidade

21 min de leitura

Padre João de Santo Antônio, defensor de pobres e escravos

Padre João de Santo Antônio nasceu em 23 de janeiro de 1824 em Morro Vermelho e morreu no Convento de Macaúbas (Santa Luzia) em 1913. Filho de João Dias Tavares e Francisneire Sutéria, estudou e ordenou-se padre no Seminário de Mariana, onde exerceu o magistério. Mais tarde, tornou-se missionário apostólico, tendo fixado base no colégio de Macaúbas, em Santa Luzia, onde também era professor.

Como missionário viajou por muitas cidades e povoados de Minas Gerais e numa viagem pastoral foi para o Sertão, onde fundou a cidade de Cordisburgo. Em 1867, censo da Câmara Municipal de Caeté mostra o Padre João como morador de Morro Vermelho, então com 43 anos. No livro Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, o antropólogo e escritor Richard Burton na sua passagem por Morro Vermelho em 10 de julho de 1867 registrou: “...Mal tivemos tempo de passar por uma casa baixa, junto da igreja, onde mora o vigário, Padre João de Santo Antônio, sacerdote que goza de excelente reputação, que não deixa sua cidade e seu rebanho se esquecendo do que vem depois da devoção...”

Em 1869, por ocasião das missões do padre João de Santo Antônio durante 15 dias, ele ajudou a comunidade de Jaboticatubas a levantar o cruzeiro denominado “Do Alto” na Capela de Nossa Senhora da Soledade, às margens da rodovia MG-020. Em 1900, o Padre João fundou a Capela de Nossa Senhora do Rosário no distrito quilombola de Pinhões, em Santa Luzia, onde ele hoje dá nome à Escola Estadual com cerca de 300 alunos.

Padre João também foi tutor do estadista João Pinheiro da Silva. O jornal O Pharol, de Juiz de Fora, registra em 6 de dezembro de 1905 a relação do padre João de Santo Antônio com o jovem João Pinheiro da Silva, nascido em 1860 na cidade do Serro. Ainda adolescente foi levado pelos pais para estudar em Ouro Preto e depois concluiu os estudos em Caeté:

Mostrando sempre segura inteligência e grande vocação para estudos sérios, chamou o fato a atenção esclarecida de um sacerdote ilustrado, o padre João de Santo Antônio, homem erudito e cheio de virtudes, então vigário de Morro Vermelho, distrito de Caeté, e agora residente em Cordisburgo da Vista Alegre. Levando-o para sua companhia, começou a ensinar-lhe as primeiras noções de português e latim, fazendo o mesmo com o irmão mais velho, José Pinheiro da Silva Júnior. O estudante José Pinheiro conseguiu, com o auxílio do padre João de Santo Antônio, matricular-se, tempos depois, no famoso Seminário de Mariana, no que também foi grandemente auxiliado pelo padre João Batista Cornegliolo, sábio professor do seminário que o educou até se ordenar. Sacerdote inteligente e aplicado, obteve o padre José Pinheiro uma cadeira no seminário, entrando logo para ensinar o latim, de que deixou uma excelente gramática, muito apreciada pela clareza e método de exposição didática. Do pouco que recebia como lente, pois minguado era o ordenado do corpo docente do seminário, pensou o exímio latinista em tirar uma pequena parte para auxiliar a educação do irmão João Pinheiro a quem levou de Caeté e o fez matricular-se no colégio para o fim de seguir também a carreira sacerdotal, mas João recusou-se a seguir a carreira monástica.

Jornal <em>O Pharol</em>, Juiz de Fora, 6 de dezembro de 1905

João Pinheiro depois estudou engenharia em Ouro Preto e formou-se em direito em São Paulo.

O padre João de Santo Antônio também ganhou em toda Minas Gerais a fama de protetor de escravos e dos mais pobres, tendo conseguido de fazendeiros e empresários carta de alforria para muitas famílias negras. Desde o seminário, tornou-se um grande devoto do Sagrado Coração de Jesus, devoção difundida em Minas Gerais pelo primeiro bispo da Capitania das Minas, Dom Frei Manuel da Cruz.

Cordisburgo

Designado missionário por Dom Viçoso, Padre João de Santo Antônio percorreu quase toda Minas Gerais de 1860 a 1880. Em meados de 1883, o padre João de Santo Antônio chegou à região conhecida como Sesmaria Empoeiras e, por se tratar de um lugar com paisagens exuberantes e clima agradável, o padre logo o denominou de “Vista Alegre”, decidindo se estabelecer no local. Para fundar o povoado, necessitava obter a posse de uma área que se encontrava em litígio. Para tanto, contou com a influência de Dona Policena Mascarenhas, uma senhora de posses, que, vendo a Sesmaria Empoeiras ir à praça pública, mandou seu filho Bernardo Mascarenhas arrematá-la em nome do “Irmão João”, cedendo 40 alqueires como patrimônio da igreja.

Assim o padre João deu início à fundação do povoado de Vista Alegre em 21 de agosto de 1883, edificando a capela ao patriarca São José. Ao seu redor, o padre foi distribuindo os lotes. Na mesma época, o padre João mandou vir da França uma imagem do Sagrado Coração de Jesus e assim nasceu a ideia de se construir um templo para acolhê-la. Em 1885 era a vez de dar início à construção da Matriz, que foi inaugurada em 1894 pelo primeiro arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta. Foi concluída em maio de 1894.

Em junho de 1890, decreto do então governador de Minas, João Pinheiro da Silva, amigo pessoal e protegido do Padre João, elevou o povoado de Coração de Jesus da Vista Alegre a distrito de Cordisburgo da Vista Alegre, município de Sete Lagoas. O padre João registrou o nome Cordisburgo em homenagem ao Sagrado Coração de Jesus. Anos mais tarde, o padre João doou o que tinha à Matriz do Sagrado Coração de Jesus.

Depois, padre João de Santo Antônio voltou ao convento de Macaúbas, onde faleceu em 15 de setembro de 1913, aos 89 anos.

Guimarães Rosa

Trecho do discurso de posse do escritor João Guimarães Rosa, natural de Cordisburgo, na Academia Brasileira de Letras, em 1967:

Santo, um Padre Mestre, o Padre João de Santo Antônio, que recorria atarefado a região como missionário voluntário, além de trazer ao raro povo das grotas toda sorte de assistência e ajuda, esbarrou ali, para realumbrar-se e conceber o que tenha talvez sido seu único gesto desengajado, gratuito. Tomando da inspiração da paisagem a loci opportunitas, declarou-se a erguer ao Sagrado Coração de Jesus um templo naquele mistério geográfico. Fê-lo e fez-se o arraial, a que o fundador chamou O Burgo do Coração.

João Guimarães Rosa, discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, 1967

Professor João Evangelista Marques Guimarães

Professor por quase 30 anos em Morro Vermelho. Casou-se em 30 de janeiro de 1849, na Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Caeté, com Maria Rodrigues de Oliveira Lima, com quem teve 13 filhos. Em 1857 foi designado professor do primeiro grau de instrução primária de Morro Vermelho. Em 1869, foi designado professor substituto da escola de Santana do Alfié (São Domingos do Prata). No mesmo ano, retornou à escola primária de Morro Vermelho.

Em 1867, junto com autoridades e dezenas de cidadãos de Caeté, assinou manifesto de apoio ao vice-presidente do Estado Elias Pinto de Carvalho, ex-juiz de direito de Caeté. Também assinaram o documento João Evangelista Pinheiro, juiz de Paz de Conceição do Rio Acima; Manoel Lopes de Magalhães, juiz de Paz de Morro Vermelho; Jacinto Evangelista Pinheiro, Domingos Evangelista Pinheiro, Cândido Evangelista Pinheiro, Matheus Lopes de Magalhães e dezenas de outros cidadãos de Morro Vermelho, Caeté e Rio Acima.

Em 1883, o professor João Guimarães solicitou aposentadoria por ter trabalhado 30 anos como professor. Em 1890, junto com o filho Firmino e dezenas de cidadãos de Santo Antônio do Rio Acima, assinou documento de protesto contra a nova lei do casamento civil no Brasil. Faleceu em 19 de junho de 1893 em Morro Vermelho. Nota sobre o seu falecimento no Diário Oficial de 26 de junho de 1893 explica: “Em quase 30 anos em que exerceu o magistério primário jamais solicitou ao governo licença nenhuma e nem vantagens a que tinha direito por lei”.

Os 13 filhos

João Evangelista Marques Guimarães Júnior (1850); Firmino Evangelista Marques Guimarães (1851); Antônio Evangelista Marques Guimarães (1852); Cândido Evangelista Marques Guimarães (1855); Lina Maria de Jesus (1857); João Batista Evangelista Marques Guimarães (1857); Porfírio Evangelista Marques Guimarães (1860); Damaso Evangelista Marques Guimarães (1863); Maria Rodrigues de Oliveira Sobrinho (1866); Henrique Evangelista Marques Guimarães (1868); Mariana Evangelista Marques Guimarães (1870); Clara Evangelista Marques Guimarães (1872); Pedro Evangelista Marques Guimarães (1874).

Barão da Estrella

José Joaquim de Maia Monteiro, primeiro e único Barão da Estrella, nasceu no Rio de Janeiro em 1846 e morreu em Morro Vermelho em 25 de outubro de 1910, de mielite crônica (inflamação da medula). Era filho do empresário e banqueiro português Joaquim Manuel Monteiro, Conde da Estrella, e de sua segunda mulher, Luísa Amália da Silva Maia, filha de José Antônio da Silva Maia. O Barão era irmão de Antônio Joaquim Maia Monteiro, Barão de Maia Monteiro, e meio-irmão de Joaquim Manuel Monteiro, segundo Conde da Estrella. O Barão da Estrella era casado com Teresa Cristina de Vasconcelos Menezes de Drummond (Baronesa da Estrella), com quem teve duas filhas, Thereza Christina e Isabelle, ambas falecidas menores. O título do barão faz referência à Serra da Estrella, de Portugal.

O Barão da Estrella era formado em Direito pela Universidade de Paris. Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial e da Casa Real de Portugal, era amigo pessoal do imperador Dom Pedro II. Foi o responsável pela organização dos funerais do imperador em 1891, em Paris. Recebeu o baronato por decreto de 13 de outubro de 1876.

Advogado e empresário, ainda jovem adquiriu a Fazenda Furnas de Caeté, no Cutão, em Morro Vermelho, com uma área de 580 alqueires, para criação de gado e lavoura, mas decidiu também explorar dezenas de minas abandonadas em suas terras, implantando um sistema moderno e avançado de apuração do ouro.

Do antigo Palácio do Barão, que ficou de pé até a década de 1960, hoje só restam ruínas na antiga sede na Fazenda do Cutão. O casarão de dois andares teria servido, antes do Barão da Estrella, de pousada para fiscais e autoridades da Coroa Portuguesa e do império no século 18. A área hoje é uma reserva natural de vegetação da mata atlântica e de eucaliptos, pertencente à mineradora Vale. Em sua homenagem, a população de Morro Vermelho deu nome de Beco do Barão à via que leva a Rua de Baixo até o Cemitério, hoje Rua José Cirilo Grillo.

Professor Antônio Evangelista Marques Guimarães

O professor Antônio Evangelista Marques Guimarães era filho de João Evangelista Marques Guimarães e Maria Rodrigues de Oliveira Lima. Nasceu em Caeté em 15 de dezembro de 1852 e foi batizado em 10 de janeiro de 1853 pelo padre Jacinto José de Almeida na Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, sendo padrinhos Antônio José de Oliveira e Constância Maria de Oliveira. Como o pai, foi professor em Morro Vermelho desde a juventude e era conhecido também como Mestre Totó. Casou-se com Elisa Carolina de Jesus Guimarães, com quem teve nove filhos.

Ainda jovem, em 1883 foi designado professor para o distrito de Mocambeiro de Santa Luzia, mas no mesmo ano retornou à escola de Morro Vermelho. Em 1892 foi nomeado presidente da Junta Militar de Morro Vermelho, que tinha como membros Christiano Lopes de Magalhães e João Batista Leal Júnior. Aposentou-se como professor em 1912. Em 14 de novembro de 1932, recebeu do Papa Pio XI a insígnia Comendador da Santa Sé por ter encaminhado ao seminário os seus seis filhos homens, que se tornaram padres.

Os nove filhos

Padre José Evangelista Marques Guimarães, Padre Nico (1887); Padre João Evangelista Marques Guimarães (1889); Padre Pedro Evangelista Marques Guimarães (1891); Maria Evangelista Marques Guimarães, Nhá (1893); Padre Benjamim Evangelista Marques Guimarães (1898); Padre Alberto Evangelista Marques Guimarães (1901); Padre Ephraim Evangelista Marques Guimarães (1903); Cecília Carolina Guimarães (1905); Aurora Maria Guimarães (1909).

Padre José Evangelista Marques Guimarães (Padre Nico)

Padre José Evangelista Marques Guimarães (Padre Nico) era filho do professor Antônio Evangelista Marques Guimarães e Elisa Carolina de Jesus Guimarães e neto do professor João Evangelista Marques Guimarães e Maria Rodrigues de Oliveira Lima. Nasceu em Morro Vermelho em 1887. Estudou no Seminário Arquidiocesano de Mariana. Foi vigário da paróquia de Pompeu, Minas Gerais, e assumiu em 1911 a Paróquia de Nossa Senhora de Nazareth de Morro Vermelho, onde ficou até falecer, em 1961. Hoje dá nome à Rua de Baixo de Morro Vermelho.

Alferes Matheus Lopes de Magalhães

Matheus Lopes de Magalhães era filho de Domingos Lopes e Rosa Maria de Magalhães, do povoado de São Gens, antiga vila de Monte Longo, na região de Braga, no norte de Portugal. Era neto de João Lopes e Maria de Andrade (paterno), da freguesia de São Miguel de Refojos de Basto, cidade conhecida por um antigo e famoso convento, também na região de Braga, e de Antônio de Magalhães e Joana Lopes Ferreira (materno), da localidade de Lugar de Pica, em São Gens, onde também moravam seus pais. Matheus nasceu em 15 de dezembro de 1784 e no mesmo dia foi batizado na igreja de São Bartolomeu de São Gens pelo padre Bernardo José de Almeida, sendo padrinhos Matheus Gonçalves e Ana de Oliveira, filha maior de Antônio de Barros, todos do Lugar de Pica.

Ainda jovem entrou para uma companhia militar e no início do século 19 veio para o Brasil, chegando a Caeté para reforçar o policiamento. Seguiu a carreira militar até se tornar alferes. Aos 20 anos, em 3 de setembro de 1804, casou-se na Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Caeté, com Joaquina do Couto Barbosa, nascida em Caeté em 1785, filha de Manoel do Couto Barbosa e Tereza de Souza Leal. A celebração foi feita pelo vigário, padre Joselino Anastácio Macedo, sendo testemunhas o capitão e juiz ordinário Domingos Rodrigues Guerra e o capitão Antônio de Novais Campos.

Matheus estabeleceu moradia em Caeté e em Morro Vermelho, comprou fazendas e minas de ouro em Morro Vermelho e Viracopos, que mais tarde foram administradas pelos filhos Antônio Lopes de Magalhães (1808), Manoel Lopes de Magalhães (1809) e Prudenciana Lopes de Magalhães (1818), que também se estabeleceram em Morro Vermelho, onde administravam uma fábrica de ferro. Em 1832, segundo censo do Governo da Província, Matheus Lopes de Magalhães contava com 22 escravos.

Os quatro filhos

Antônio Lopes de Magalhães (1808); Manoel Lopes de Magalhães (1809); Tereza Lopes de Magalhães (1811); Prudenciana Lopes de Magalhães (1818).

José de Mello de Souza Almeida Brandão

José de Mello de Souza Almeida Brandão nasceu em 1882 e era casado com Maria Bárbara (1892). Filhos: José de Mello (1813), Luiz de Mello (1829), Felippa Antônia (1820), Flávia (1825). Foi lavrador, criador, mineiro e juiz de Paz de Morro Vermelho. Em 1932 tinha 78 escravos, segundo censo feito por ele a pedido de Manoel Ignácio de Mello e Souza, presidente da Província de Minas.

Em 27 de abril de 1833, então juiz de Paz de Morro Vermelho, José de Mello de Souza Almeida Brandão publicou no jornal O Vigilante manifesto concitando os cidadãos da região a partirem armados para Ouro Preto e defenderem o então Presidente de Minas, Manoel Ignácio de Mello e Souza. Na chamada Sedição Militar ou Revolta do Ano da Fumaça, um grupo político alcunhado de Caramuru, na ausência do Presidente, marchou para Ouro Preto e tomou o governo de Minas em 22 de março de 1833. Os revoltosos defendiam uma série de medidas e até a volta ao Brasil do Imperador Dom Pedro I. O movimento soltou presos militares e deportou o conselheiro Bernardo Pereira de Vasconcelos. Durante dois meses a província foi governada pelo líder Soares do Couto. O conselheiro deportado reuniu um grupo de seis mil homens, inclusive gente do Morro Vermelho, sob o comando do Marechal Pinto Peixoto e, depois de confrontos, o presidente da Província retornou ao poder em 26 de maio.

Tenente João Gonçalves de Carvalho

O Tenente João Gonçalves de Carvalho era filho de Pedro Gonçalves de Carvalho e Maria Gonçalves de Carvalho e nasceu em 1804 em Morro Vermelho. Em 19 de janeiro de 1830 casou-se com Anna Maria Joaquina de Gouvea, sendo padrinhos Lucas José de Gouvêa, irmão da noiva, e João da Silva de Oliveira. João Gonçalves de Carvalho era também membro da Guarda Nacional de Caeté, a guarda de elite do imperador. Era fazendeiro em Morro Vermelho, onde também foi Juiz de Paz.

Os filhos

João Gonçalves de Carvalho Júnior, José Gonçalves de Carvalho, Emílio Gonçalves de Carvalho (1839), Cândido Gonçalves de Carvalho (1840), Luiz Gonçalves de Carvalho (1842), Mariano Gonçalves de Carvalho (1844).

Professora Jovelina Evangelista Marques Guimarães (Dona Jove)

A professora Jovelina Evangelista Marques Guimarães (Dona Jove) era filha de Cândido Evangelista Marques Guimarães (Pai Candu) e Belarmina Lopes Magalhães (Mãe Bela) e neta de João Evangelista Marques Guimarães e Maria Rodrigues de Oliveira Lima. Nasceu em Morro Vermelho em 1899 e foi batizada em 11 de novembro na Matriz de Nossa Senhora de Nazareth pelo padre João de Oliveira Lima, sendo padrinhos Pedro da Circuncisão Pinheiro e Clara Rodrigues Guimarães.

Durante várias décadas, Dona Jove foi professora no Grupo Escolar de Morro Vermelho e ensinou as primeiras letras a centenas de moradores. Foi também auxiliar do Padre José Evangelista Marques Guimarães (Padre Nico), cuidando da administração da Matriz de Nossa Senhora de Nazareth. Era solteira e criou dois sobrinhos.

Tinha 15 irmãos: Clara Evangelista Marques (1880), Maria Evangelista Marques (1881), João Evangelista Marques (1884), Albertina Evangelista Marques (1885), José Evangelista Marques (1889), Fleuripes Evangelista Marques (1891), Maria Augusta Guimarães (Mica) (1892), Pedro Evangelista Marques (1894), Clodomiro Evangelista Marques Rodrigues (1895), Alice Evangelista Marques (1897), Carlindo Evangelista Marques (1898), Agenor Evangelista Marques (1902), Ivone Evangelista Marques (1904), Olinto Evangelista Marques (1906), Adelina Rodrigues Guimarães (1907).

José Rodrigues Pinheiro

José Rodrigues Pinheiro, ou Zé Pinheiro como era mais conhecido, era filho de João Evangelista Pinheiro e Jovita Gonçalves Rodrigues. Nasceu em Morro Vermelho em 1912 e casou-se com Nicolina de Moraes, com quem teve 14 filhos. Trabalhador rural e pequeno proprietário, comandou a Corporação Musical Santa Cecília por muitos anos, deixando um legado de composições musicais, algumas incluídas na Cavalhada Nossa Senhora de Nazareth, repetida anualmente no povoado desde 1704. Também foi organizador e maestro da Coral Nossa Senhora de Nazareth, com presença marcante em todas as festas do lugarejo.

Maria Augusta Guimarães, dona Mica

Maria Augusta Guimarães, dona Mica, era filha de Cândido Evangelista Marques Guimarães (Pai Candu) e Belarmina Lopes Magalhães (Mãe Bela) e neta de João Evangelista Marques Guimarães e Maria Rodrigues de Oliveira Lima. Nasceu em Morro Vermelho em 1892. Era uma das benzedeiras mais famosas e procuradas de Morro Vermelho e durante muitos anos foi responsável pela ornamentação da bandeira da Cavalhada Nossa Senhora de Nazareth em 7 de setembro.

Casou-se com Francisco Emílio Lopes, com quem teve seis filhos: Geraldo Emílio Lopes (Geraldo Baixinho), Emílio, Lilinha, José, Pedro e Otília.

Tinha 15 irmãos: Clara Evangelista Marques (1880), Maria Evangelista Marques (1881), João Evangelista Marques (1884), Albertina Evangelista Marques (1885), José Evangelista Marques (1889), Fleuripes Evangelista Marques (1891), Pedro Evangelista Marques (1894), Clodomiro Evangelista Marques (1895), Alice Evangelista Marques (1897), Carlindo Evangelista Marques (1898), Jovelina Evangelista Marques (Dona Jove) (1899), Agenor Evangelista Marques (1902), Ivone Evangelista Marques (1904), Olinto Evangelista Marques (1906) e Adelina Rodrigues Guimarães (1907).

Maria Rodrigues Pinheiro Xavier (Dona Lica)

Maria Pinheiro Xavier (Dona Lica) nasceu em Morro Vermelho em 15 de maio de 1907. Foi batizada no dia 26 do mesmo mês na Matriz de Nossa Senhora de Nazareth pelo padre Carlos Ferreira Marques, sendo padrinhos Pedro Gonçalves Rodrigues e sua mulher Maria Rodrigues Guimarães. Era filha de João Evangelista Pinheiro e de Jovita Gonçalves Rodrigues Pinheiro e tinha os irmãos Raimunda Pinheiro do Espírito Santo (Mundinha), Paulo Rodrigues Pinheiro e José Rodrigues Pinheiro.

Era casada com José Xavier de Gouvea, com quem teve nove filhos: Maria, José, Antônio, Alcina, Orlando, Vanilda, Elizabete, Francisco e Beatriz. Dona Lica faleceu em 2006, aos 99 anos.

Exímia quitandeira, costureira e bordadeira, deixou para as gerações futuras um rico patrimônio de arte e cultura, que se espalhou por toda a região: o bordado Bainha Aberta, já reconhecido em todo o país. As bainhas abertas chegaram a Minas Gerais com colonizadores portugueses no início do século 18, durante o ciclo do ouro, e sobreviveram nos moldes originais graças ao trabalho silencioso das bordadeiras, que passaram a tradição de geração a geração. Durante toda a vida, Dona Lica ensinou o ofício aprendido da mãe e de avós para as filhas e vizinhas. O saber, mantido pela oralidade, foi multiplicado por sua filha Maria Xavier Pinheiro Guimarães (Nhanhá), que decidiu criar uma oficina no Museu Regional de Caeté, espalhando a tradição por centenas de bordadeiras, inclusive de cidades vizinhas.

Segundo as próprias artistas, a bainha aberta é um trabalho muito bonito, mas difícil, pois requer atenção e paciência. Diante de um mostruário, com vários tipos, as bordadeiras tecem a renda em pano desfiado de algodão ou linho, que serve de adorno requintado de roupas de cama, toalhas e caminhos-de-mesa, além de peças para igrejas, como os sanguíneos, que forram altares.

Clarinda da Conceição Pinheiro

Filha de Francisco de Assis Morais e Maria Magalhães (Maria de Cândida), Clarinda da Conceição Pinheiro nasceu em Morro Vermelho em 1929 e era casada com Estêvam Evangelista Pinheiro. Desde pequena seguiu o costume da família Morais de integrar os corais da Matriz de Nossa Senhora de Nazareth e logo aprendeu a ler partituras musicais, passando a comandar o coral que cantava em latim a missa a quatro vozes na Festa da Padroeira e os motetos da Semana Santa. Conduzia também o coral que entoava os cânticos das missas dominicais no povoado, cargo que deixou para a filha Maria, de voz tão semelhante e afinada como a dela.

Foi titular do cartório de notas de Morro Vermelho. Também foi trabalhadora rural, enfrentando com o marido e os filhos a administração de uma chácara nas proximidades de Morro Vermelho. Teve nove filhos: Maria, José, Agda, Paulo, Beatriz, Tereza, Perpétua, Estêvam e Marcelo. Morreu em 10 de agosto de 2020, aos 91 anos. Mulher aguerrida, das mais velhas do povoado. Nasceu forte e foi ajudando pai, mãe e irmãos, eram dez, na labuta diária. Uma vez casada, foi administrar as terras do marido e, morto este, passou a cuidar da lavoura e do gado junto com os nove filhos. Recebeu o cartório da dona Aurora Guimarães e cuidava de certidões de nascimento, casamento e óbito.

Na vida religiosa era a cantora mais famosa e desfiou sua voz afinada cantando missa em latim e motetos pelas ruas durante os passos da Semana Santa. Nesta arte, vai ser insubstituível no povoado. Ensinou filhas e conterrâneas o segredo da cantoria religiosa, mas nenhuma delas será como a dona Clarinda da Conceição Pinheiro. Mas Clarinda certamente deixou um rastro de esperança nesta terra de tão poucos talentos.

Geraldo Emílio Lopes (Geraldo Baixinho)

Geraldo Emílio Lopes (Geraldo Baixinho) nasceu em Morro Vermelho em 3 de abril de 1920. Era um dos seis filhos de Francisco Emílio Lopes e Maria Augusta Guimarães (Dona Mica). Casou-se com Maria de Gouvea Lopes (Salia), já falecida, com quem teve oito filhos, cinco dos quais ainda vivos. Trabalhador rural, mineiro, metalúrgico, criou família com exemplos de dignidade e cidadania.

Músico, compositor, cantor e seresteiro, ele até hoje tira belos acordes em seu velho amigo cavaquinho e se recorda de antigas canções que embalaram serenatas madrugada afora, alimentando sonhos de lindas mocinhas pelas ladeiras de Morro Vermelho. Exímio bailarino, era o preferido das meninas nos bailes e arrasta-pés do lugarejo. Esportista, temido lateral esquerdo do time do Natal, ele granjeou amizades e admiração por toda a região.

Hoje, sua história se mistura com a própria história do último século de Morro Vermelho. Como os pais e avós, ele ajudou o povoado a crescer, tomar corpo e se agigantar na defesa de seus direitos e do espaço que lhe cabe na cidade. Desde a adolescência, teve presença marcante em todas as festas, promoções e eventos da comunidade. Integrou a Corporação Musical Santa Cecília, era mordomo assíduo de Nossa Senhora de Nazareth e com a mãe, famosa benzedeira de Morro Vermelho, aprendeu o dom de aliviar dores que Deus só concede aos puros de coração. Ouviu muito, aconselhou a muitos, buscou o bom senso.

Ele completou 100 anos em 2020. Um século de vida não é para qualquer um. É uma conquista exclusiva de pessoas pacientes, fortes, perseverantes e com amor ao próximo. Infelizmente, por causa do novo coronavírus, a festança teve de ser adiada. Mas ele está pronto para esperar por muito tempo. Lúcido, de memória invejável capaz de lembrar acontecimentos importantes no povoado desde a década de 1920, ele acaba de receber o diagnóstico médico de que não precisa tomar remédio algum, basta seguir a vida, cercado do carinho dos parentes e amigos.

Todo o povo de Morro Vermelho se sente orgulhoso de ter ao seu lado um vizinho que deixou por toda parte um rastro de luz e esperança.